COM OLHOS NO RIO GRANDE - 2009


O projeto COM OLHOS NO RIO GRANDE – 2009 consolida as conexões estabelecidas entre a capital mais ao sul do Brasil e Wuppertal na Alemanha, materializando o Acordo de Cooperação e Intercâmbio Cultural entre a PORTO ALEGRE CIA DE DANÇA e a MARK SIECZKAREK COMPANY.
Com o imprescindível patrocínio do grupo CEEE - Companhia Estadual de Energia Elétrica – Mark Sieczkarek, o criador do espetáculo OLHOS FECHADOS NO SOL, volta à Capital gaúcha. Desta vez, vem acompanhado do jovem bailarino Pablo Harari, argentino que vive na Alemanha onde além de dançar na Companhia de Sieczkarek em Wuppertal, cursa uma das mais renomadas escolas de dança no mundo – a Folkwang Hochschule.
Desde o dia 15 de setembro, um renovado elenco de bailarinos juntamente com o coreógrafo escocês, se prepara com aulas e ensaios diários para levar um pouco da dança produzida em Porto Alegre para sete cidades gaúchas.
Com ingressos a preços populares, o espetáculo OLHOS FECHADOS NO SOL, vai percorrer entre outubro de 2009 e janeiro de 2010 as seguintes cidades: Caxias do Sul, Pelotas, Santa Cruz, Gravataí, Santo Angelo,
Cruz Alta e Santa Maria. E para coroar o final da turnê, haverá uma apresentação na Capital.
Em cada cidade, além de convidar a todos para uma noite de arte e dança, Sieczkarek e bailarinos irão, após a apresentação, trocar ideias com o público. O bate papo UMA NOITE EM COMPANHIA DA DANÇA será um momento ímpar para conversar sobre a criação e a elaboração do espetáculo, conhecer melhor o trabalho da Companhia e sua proposta de promover intercâmbios e trabalhos em colaboração.
Para completar a integração em cada cidade, Sieczkarek ministrará o workshop CONVERSANDO COM O MOVIMENTO, excelente oportunidade para entrar em contato com a dança alemã contemporânea
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PROGRAMA


AGENDA TURNÊ REGIONAL



CAXIAS DO SUL
Espetáculo: Teatro Municipal Pedro Parenti
Casa de Cultura Percy Vargas de Abreu e Lima
Endereço: R. Dr. Montaury, 1333
Data: 28 de outubro
Horário: 20h30m

Workshop: Sala da Cia de Dança de Caxias do Sul
Centro Municipal de Cultura Henrique Ordovás Filho
Endereço: R. Luiz Antunes, 312 Bairro Panazzolo
Data: 29 de outubro
Horário: das 9h às 12h
Informações: 3218 6192 ramal 203
Número de vagas: 15
Inscrições: entregar currículo resumido na Secretaria da Cia ou enviar para



PELOTAS
Espetáculo: Theatro Sete de Abril
Endereço: Rua XV de Novembro, 560
Data:18 de novembro
Horário: 21h



Workshop: sala do curso de dança da UFPEL
Endereço: Clube Caixeiral – sala II
Pc. Coronel Pedro Osório, 106
Data: 19 de novembro
Horário: das 9h às 12h
Informações: Projeto Mobile de Dança mobile.ufpel@gmail.com
Inscrições:
Núcleo de Extensão e Divulgação (NED)
Instituto de Artes e Design (IAD) – UFPel
Rua Alberto Rosa, 62 – Sala 106
Horario de atendimento: 8:00 – 11:00/ 14:00 – 17:30



SANTA CRUZ DO SUL
Espetáculo: Teatro do Colégio Mauá
Endereço: Rua Cristóvão Colombo, 366
Data: 21 de novembro
Horário: 20h30m
Ingresso antecipado: no Centro de Cultura e Casa Regina Simonis

Workshop: Ginásio Pedagógico da UNISC – sala I
Endereço: Av. Independência, 2293 bloco 41
Data: 22 de novembro
Horário: 14h
Inscrições: pelo telefone 3717-7346 ou email sac@unisc.br


GRAVATAÍ
Espetáculo: SESC Vale do Gravataí
Endereço: Rua Anápio Gomes, 1241
Data: 28 de novembro
Horário: 20h

Workshop: SESC Vale do Gravataí - Sala Multiuso
Endereço: Rua Anápio Gomes, 1241
Data: 29 de novembro
Horário: das 9h às 12h
Inscrições: SESC Vale do Gravataí pelo e-mail bimmich@sesc-rs.com.br

SANTO ANGELO
Espetáculo: Teatro Municipal Antonio Sepp
Endereço: Av. Brasil, esq. Florencio de Abreu
Data: 11 de dezembro
Horário: 21h
ingressos: R$ 5,00 antecipado
na Secretaria Municipal de Cultura - R. 3 de Outubro, 800


CRUZ ALTA
Espetáculo:
Endereço:
Data: 13 de dezembro
Horário:

Workshop: UNICRUZ
Endereço: Sala de Dança - subsolo do prédio 12/Campus Universitário UNICRUZ
Data: 14 de dezembro
Horário: 14h


SANTA MARIA
Espetáculo: Theatro Treze de Maio
Endereço: Praça Saldanha Marinho s/no
Data: 07 de janeiro de 2010
Horário: 21h

Workshop:
Endereço:
Data: 08 de janeiro de 2010
Horário: das 9h às 12h

PORTO ALEGRE
janeiro de 2010

O ESPETÁCULO



OLHOS FECHADOS NO SOL
convida seu expectador a mergulhar no universo das sensações, da poesia, da música e do movimento. Criado a partir das percepções e sentimentos do coreógrafo Mark Sieczkarek em Porto Alegre, OLHOS não tenta contar uma história, não pretende ser entendido. Em cena estão contrastes e paradoxos: homens representando figuras femininas, o lixo se transformando em luxo, a felicidade lado a lado com a tristeza.
Elementos concretos, como as flores, o barco e o futebol, agregados ao movimento dos bailarinos, trazem ao palco o mar, as ondas, a felicidade e a solidão. São elementos ordinários que se transformam em arte.
Uma das inspirações para OLHOS FECHADOS NO SOL é a usina de reciclagem da Associação de Catadores de Materiais Recicláveis do Movimento dos Direitos dos Moradores de Rua – ACMDMR, em Porto Alegre, que Mark visitou diversas vezes. A experiência que o coreógrafo teve em meio aos trabalhadores, ajudou no processo de criação. “A dignidade que estas pessoas conquistaram trabalhando com lixo, sua força de vontade e alegria de viver são inspiradoras,”diz.
OLHOS FECHADOS NO SOL são pequenos movimentos que enchem o palco e se tornam mais fortes do que grandes gestos, sequências ou deslocamentos.
Em todas as cidades os ingressos terão preço popular de R$ 10,00; e estudantes e maiores de 60 anos terão 50% de desconto.

OLHOS ABERTOS NA LUZ PORTO-ALEGRENSE


fotos: Ana Flor
Luís Augusto Fischer

Imagine o prezado leitor um artista europeu, muito sensível e muito competente, chegando ao Brasil, casualmente nesta ponta sulina do Brasil, e vendo com seus olhos estrangeiros o que nós vemos, ou não vemos, com os nossos acostumados olhos brasileiros. O que ele veria?
Ele veria a luz linda de Porto Alegre, claro, assim como o verde intenso da cidade, mais os prédios bacanas que o tempo e a nossa displiscência não destruíram. Veria também a água, essa aí do lado, rio, estuário ou lago, massa molhada que fez a nossa cidade e que hoje nem aparece para nossas retinas cansadas, ou a mais remota água do mar, aquele por onde vieram colonizadores e para onde vamos descansar nosso ano regulamentar.
Mas veria também a quantidade enorme, humanamente demasiada, de gente pobre pela rua. Mendigos que realmente não têm aonde ir, ao lado de gente que até poderia ter um rumo, mas que por degradação pessoal prefere viver do escasso favor alheio. Gente que se acomoda em qualquer parte, em qualquer canto, e que a gente nem enxerga mais, porque já a consideramos parte da paisagem.
Mas, calma, nosso hipotético artista não está interessado em denúncia banal, dessas que podem ganhar uma manchete ocasional de algum diário e em seguida desaparecem. Ele está interessado em entender, profundamente, como é que essas pessoas se mexem, andam, dormem, e como é que lidam com as sacolas que carregam. Ele quer entender como é o movimento delas, essas coisas diárias que o leitor e todo mundo fazem e, como os miseráveis da cidade, também são invisíveis para nós.
Nosso europeu em Porto Alegre quer entender para poder produzir arte. Arte do movimento, no tempo e no espaço: ele quer dançar, diante de nós, com bailarinos daqui da cidade, do estado, de outras partes do Brasil , um comentário sobre a nossa cidade, o nosso país, a nossa condição.
Claro que ele sabe que entre nós, cá no Brasil, e eles, lá do centro do mundo ocidental, há muitos laços de parecença, de parentesco, de paridade. Não só os miseráveis porto-alegrenses estarão encenados no espetáculo, mas nós todos, em alguma medida. A vida, no fim das contas, se parece bastante, quando o que está em jogo é aquilo que realmente importa.
Mark Sieczkarek é o artista europeu que até aqui foi tratado como uma hipótese. Escocês de nascimento, alemão de moradia, cidadão do mundo por opção, ele vem a Porto Alegre no contexto de um projeto que amadurece seu primeiro fruto aqui e agora, no espetáculo Olhos Fechados no Sol. Concebendo e comandando uma verdadeira interpretação da vida que rola bem aqui, em torno de nós todos, ele nos oferece o que de melhor a arte pode ser: um mergulho na vida, de que cada um sai mais humano, mais sábio, mais frágil em sua condição de passageiro da vida, mais forte em sua visão do mundo.
A hora é de aproveitar, abrir bem os olhos e deixar o coração ver tudo que a luz pode ensinar, tudo que a dança pode mostrar, tudo que a arte pode fazer viver bem diante de nós.
LAF

UMA NOITE EM COMPANHIA DA DANÇA



Cada cidade, após o espetáculo, será palco de um bate-papo entre o coreógrafo Mark Sieczkarek, bailarinos e público – UMA NOITE EM COMNPANHIA DA DANÇA.
Será uma excelente oportunidade para abordar temas como a criação e elaboração do espetáculo, além de saber mais sobre o trabalho da Companhia e sua proposta de promover intercâmbios e trabalhos em colaboração.
Esta atividade acontecerá após um pequeno intervalo, ao término do espetáculo e terá entrada franca.

O WORKSHOP


Gravataí - SESC

Santa Cruz do Sul - UNISC .....................................................

Pelotas - sala de dança da UFPEL ............................................................
Caxias do Sul - sala da Cia de Dança ................................... fotos: Renato Mesquita


No dia seguinte a cada apresentação, acontecerá o workshop CONVERSANDO COM O MOVIMENTO, ministrado pelo coreógrafo Mark Sieczkarek.
Neste workshop Mark explorará o movimento pessoal de cada participante e criará pequenas composições. Estas pequenas frases juntas formarão uma curta composição de grupo. Um grupo que conversará através de fragmentos de movimentos.


Este workshop será oferecido gratuitamente e será uma excelente oportunidade para profissionais e estudantes de dança entrarem em contato com a dança contemporânea através de um dos criadores mais produtivos do cenário artístico alemão.

FOTOS DO ESPETÁCULO








fotos: Mark Sieczkarek e Renato Mesquita

OS EXPLORADORES DO TESOURO ENCONTRADO


Era uma vez, há muitos e muitos anos, um tesouro encantado que foi escondido. Um tesouro formado por seres vivos ancestrais como dinossauros, peixes, árvores e outras coisas que nem imaginamos. Passaram-se anos, milhões deles. Um dia, alguém por acaso, encontrou esse tesouro mágico. E não demorou muito para que as pessoas descobrissem mais e mais formas de aproveitar as mutações que o tesouro permitia. Com isso, tal riqueza se tornou muito preciosa, estimulando a cobiça de caçadores de galões perdidos.

O tempo passou e as pessoas ficaram dependentes do tesouro abundante. O ouro negro, como ficou conhecido, penetrou na vida de todos. Do adubo ao combustível, da borracha, do asfalto até a garrafa pet, hoje, todos usufruem da riqueza. Uma fábrica de refrigerantes comum pode produzir um milhão de garrafas plásticas por mês. O refrigerante custa centavos de qualquer moeda, mas a garrafa, que pode durar milhões de anos mais que o refrigerante, custa ainda menos.

Há bem pouco, em 2008, a PORTO ALEGRE CIA DE DANÇA trouxe um olhar distante, convidou o coreógrafo Mark Sieczkarek (morador de Wuppertal, Alemanha) para criar seu espetáculo de estréia, a partir das percepções que ele teria ao ver Porto Alegre pela primeira vez. Naturalmente os movimentos de dança foram surgindo, ao mesmo tempo, garrafas pet viravam cortinas, vestidos e remos. Tampinhas e sacolas plásticas se transformaram em saias e adereços. Um vestido bandeira foi resgatado de um brechó. Pouco a pouco o tesouro milenar foi revelando novo valor. Revisitar nosso cotidiano com um olhar mais atento trouxe profundidade e tornou mais espessa a aura que circunda o velho tesouro. Novos baús foram sendo construídos, repletos de consciência.

A Alemanha produz tanto ou mais garrafas pet que o Brasil, além de tantos outros derivados do plástico. Os próprios consumidores separam os diversos materiais para reciclagem. Em Porto Alegre, Mark conheceu a associação dos ex-moradores de rua que hoje vivem em uma usina de triagem, separação e venda de lixo reciclável. O impacto desse encontro de realidades recolocou o ser humano no centro da questão. Ator ativo e causador do contraste que tenta satisfazer as angústias da alma, descartando tesouros pelas ruas ou em lixeiras coloridas.

OLHOS FECHADOS NO SOL é o tesouro que após milhares de anos decantando nas profundezas da Terra veio finalmente à superfície distribuindo riquezas, em seguida foi descartado disfarçado de garrafa pet vazia, inútil, tão efêmera quanto os goles apressados, mãos invisíveis de pessoas invisíveis as recolheram das calçadas com a devida reverência que um objeto de valor demanda, durante meses estes objetos foram sendo adorados, revistos, re-valorados - ressurgiu como coreografia carregada de novas percepções impregnada de sensibilidade artística e diversos recursos multimídia. “Olhos” são as relações colocadas em perspectiva a partir de um simples olhar, é uma reflexão acerca dos valores dos objetos e das pessoas, são arcas de tesouros reinventados, grande densidade em tom de brincadeira.

COM OLHOS NO RIO GRANDE – 2009 é a exploração de todo esse movimento de arte e consciência expresso em OLHOS FECHADOS NO SOL. É o compartilhar das riquezas produzidas pelo trabalho coletivo. A comunhão e o celebrar de um velho sempre novo insight. Com as presenças de Mark e Pablo (bailarino estudante da Folkwang Hochschule) em meio ao elenco de bailarinos da Cia porto-alegrense.

Siga o Mapa do Tesouro - no fim desse blog - e venha explorar também as profundezes da arte e da consciência.